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História

As 4 semifinalistas da Copa 2026 — e como a decisão terminou

Argentina, Inglaterra, França e Espanha somavam 7 títulos mundiais antes da Copa 2026, 12 finais disputadas e mais de um século de campanhas entre elas. A Espanha saiu campeã, batendo a Argentina por 1x0 na final — a trajetória completa de cada seleção, títulos, momentos decisivos, protagonistas e curiosidades.

Diego Maradona ergue a taça da Copa do Mundo de 1986, no Azteca
🥈 Vice-campeã — venceu a Inglaterra por 2x1 na semi, perdeu a final pra Espanha

🇦🇷 Argentina

El Gráfico, 1986 · Domínio público
3
títulos
19
Copas disputadas
90
jogos
49
vitórias
6 finais disputadas

A Argentina é a seleção sul-americana com a segunda maior quantidade de finais de Copa do Mundo disputadas, atrás apenas do Brasil: seis, com três taças erguidas em quase meio século de intervalo entre a primeira e a última.

A trajetória

A história começou já na primeira Copa da história, em 1930, no Uruguai, quando a Argentina chegou à final e perdeu para o anfitrião. Precisou de 48 anos para reverter o roteiro: em 1978, jogando em casa, sob um clima político tenso da ditadura militar, a seleção de César Luis Menotti venceu a Holanda por 3 a 1 na prorrogação. Mario Kempes foi artilheiro e melhor jogador do torneio; Daniel Passarella, aos 25 anos, ergueu a taça como o capitão mais jovem da história a fazer isso.

Oito anos depois, no México, veio a campanha mais lembrada do país: Diego Maradona jogou praticamente sozinho contra o mundo, participando direta ou indiretamente de 10 dos 14 gols argentinos no torneio. A Alemanha Ocidental foi batida por 3 a 2 na final, mas o jogo que entrou para a lenda foi antes, nas quartas — contra a própria Inglaterra, adversária desta semifinal de 2026.

Depois de perder mais uma final em 1990 (para a Alemanha) e em 2014 (para a Alemanha novamente, desta vez no tempo de Messi), a Argentina finalmente fechou a conta em 2022, no Catar: campeã nos pênaltis sobre a França, em uma decisão que muitos consideram a melhor final da história da competição.

22 de junho de 1986 · Quartas de final vs. Inglaterra
Maradona salta com o punho fechado por cima do goleiro Peter Shilton, no lance do gol de mão contra a Inglaterra em 1986El Gráfico, 22 de junho de 1986 · Domínio público

"Um pouco com a cabeça de Maradona, um pouco com a mão de Deus." Maradona resolveu o jogo em menos de cinco minutos, com dois gols de outro planeta. No primeiro, subiu mais que o goleiro inglês Peter Shilton e desviou a bola de punho fechado — o árbitro tunisiano Ali Bin Nasser não viu nada, e o gol ficou de pé. Hoje bastaria meio minuto de VAR pra anular o lance; em 1986 essa tecnologia nem existia no papel, e a irregularidade entrou pra história em vez do banco de vídeo. Quatro minutos depois veio a resposta: Maradona catou a bola ainda no meio-campo, driblou cinco ingleses em sequência e bateu no canto — o "Gol do Século". Argentina venceu por 2 a 1 e seguiu rumo ao título.

Lance da final de 1966 entre Inglaterra e Alemanha Ocidental em Wembley
🥉 3º lugar — perdeu a semi pra Argentina (2x1), venceu a França por 6x4 na disputa de 3º

🏴 Inglaterra

El Gráfico, 1966 · Domínio público
1
título
17
Copas disputadas
78
jogos
35
vitórias
4 semifinais (1966, 1990, 2018, 2026)

A Inglaterra inventou o futebol moderno mas levou 103 anos — contados da fundação da própria federação, em 1863 — pra ganhar uma Copa. E só ganhou essa uma. Ainda assim, é uma das histórias mais estudadas do esporte.

A trajetória

O único título inglês veio em 1966, jogando em casa. Sob o comando do técnico Alf Ramsey — que prometera publicamente a taça antes mesmo do torneio começar — a Inglaterra chegou à final contra a Alemanha Ocidental em Wembley. O jogo terminou 4 a 2 depois da prorrogação, decidido por um hat-trick histórico de Geoff Hurst: até hoje o único marcado numa final que terminou em título (Mbappé repetiria a proeza em 2022, mas perdendo). O terceiro gol de Hurst é discutido até hoje: câmeras da época não conseguiram provar com certeza se a bola cruzou inteira a linha do gol.

Depois de 1966, a Inglaterra viveu décadas de frustração — eliminações precoces, brigas internas, e uma ausência total de duas Copas seguidas nos anos 1970 por não conseguir se classificar. A reaproximação de um resultado histórico só veio em 1990, na Itália, com uma geração liderada por Gary Lineker e Paul Gascoigne, parando nas semifinais contra a Alemanha Ocidental nos pênaltis — partida que ficou marcada pelas lágrimas de "Gazza" ao levar o segundo cartão amarelo do torneio.

A história recente trouxe mais duas semifinais: em 2018, na Rússia, com Harry Kane artilheiro, parando diante da Croácia; e a atual, em 2026, contra a própria Argentina — reencontro de duas seleções cuja rivalidade nasceu muito antes de qualquer uma pisar num gramado de Copa, na Guerra das Malvinas de 1982.

30 de julho de 1966 · Final vs. Alemanha Ocidental

Aos 101 minutos de prorrogação, com o placar em 2 a 2, Geoff Hurst bateu de primeira e viu a bola quicar no travessão, cair perto da linha e voltar pro campo. O árbitro suíço Gottfried Dienst ficou em dúvida e foi consultar o bandeirinha soviético Tofiq Bahramov — que confirmou: gol, 3 a 2. Se a bola cruzou a linha inteira é discutido até hoje; reconstituições feitas décadas depois com tecnologia moderna dão razão à Alemanha. Nos minutos finais, já com torcedores invadindo o campo por engano, Hurst bateu de novo e fechou o hat-trick — o gol da narração mais famosa da TV inglesa, "they think it's all over... it is now". Bobby Moore ergueu a taça Jules Rimet como capitão, limpando as mãos sujas de grama antes de cumprimentar a Rainha Elizabeth II.

Seleção francesa celebra o título da Copa do Mundo de 2018
4º lugar — perdeu a semi pra Espanha (2x0) e a disputa de 3º pra Inglaterra (6x4)

🇫🇷 França

Kremlin.ru, 2018 · CC BY 4.0
2
títulos
17
Copas disputadas
60
jogos
36
vitórias
4 finais em 28 anos (1998–2022)

Depois de décadas como seleção respeitada mas sem taças, a França se tornou, em 20 anos, a equipe europeia mais presente em finais de Copa do Mundo do século 21: quatro decisões entre 1998 e 2022.

A trajetória

O primeiro título veio em casa, em 1998, encerrando quase oito décadas de espera desde a fundação da federação francesa, em 1919. Contra o Brasil, bicampeão e favorito, a França venceu por 3 a 0 com dois gols de cabeça de Zinedine Zidane e um de Emmanuel Petit nos acréscimos — resultado que abriu uma década de ouro para o futebol do país, incluindo o título da Eurocopa dois anos depois.

Zidane também protagonizou a maior frustração francesa: em 2006, na sua última partida como jogador, foi expulso na prorrogação da final contra a Itália por dar uma cabeçada no italiano Marco Materazzi, depois de uma provocação. A França perdeu nos pênaltis, encerrando a carreira do maior ídolo francês da geração com essa imagem em vez de uma taça.

A segunda estrela veio em 2018, na Rússia, com Kylian Mbappé, então com 19 anos, se tornando o primeiro adolescente a marcar numa final de Copa desde Pelé, em 1958. A vitória por 4 a 2 sobre a Croácia também tornou Didier Deschamps — capitão campeão em 1998 e técnico campeão em 2018 — apenas o terceiro homem da história a vencer a Copa como jogador e como treinador. Em 2022, a França voltou à final, perdeu nos pênaltis para a Argentina, mas viu Mbappé repetir um feito que não acontecia desde Geoff Hurst em 1966: marcar três gols numa final.

9 de julho de 2006 · Final vs. Itália

Aos 110 minutos, com o placar empatado em 1 a 1, Marco Materazzi puxou a camisa de Zinedine Zidane e, segundo o próprio Zidane relatou depois, fez um comentário ofensivo sobre sua família. Zidane deu meia-volta e acertou uma cabeçada no peito do italiano. Expulso, saiu de campo passando ao lado da taça que não ergueria. A França perdeu a disputa de pênaltis por 5 a 3 — e a imagem da expulsão se tornou mais famosa que qualquer gol daquela Copa.

Seleção espanhola celebra o título da Copa do Mundo de 2010 na África do Sul
🏆 Campeã — venceu a França por 2x0 na semi e a Argentina por 1x0 na final

🇪🇸 Espanha

Christophe Badoux, 2010 · CC BY-SA 3.0
2
títulos
17
Copas disputadas
63
jogos
30
vitórias
2 semifinais (2010, 2026)

A Espanha é a seleção mais recente a ganhar sua primeira Copa do Mundo — e fez isso no meio do único tricampeonato consecutivo de torneios internacionais (Euro-Mundial-Euro) da história do futebol masculino.

A trajetória

Antes de 2010, o melhor resultado espanhol era um distante 4º lugar em 1950, no Brasil. A "fúria espanhola" tinha fama de decepcionar nas grandes competições apesar de sempre ter bons jogadores — até que a geração de Xavi Hernández, Andrés Iniesta e Carles Puyol — formada na cantera do Barcelona — ao lado de Iker Casillas, criado nas categorias de base do Real Madrid, mudou a história.

Essa geração venceu a Eurocopa de 2008, depois a Copa do Mundo de 2010, e fechou o ciclo com outra Eurocopa em 2012 — o único tricampeonato seguido de torneios continentais e mundiais já visto no futebol masculino. O estilo ficou conhecido como tiki-taka: posse de bola extrema, passes curtos, paciência para desmontar qualquer defesa.

A final de 2010, na África do Sul, contra a Holanda, foi um jogo duríssimo — 14 cartões amarelos, recorde de uma final de Copa até hoje, poucas chances claras — decidido só nos minutos finais da prorrogação. A Espanha venceu o torneio inteiro marcando apenas oito gols em sete partidas, a maioria delas por 1 a 0, um retrato perfeito de como aquele time jogava: controlava o jogo até o adversário se cansar.

11 de julho de 2010 · Final vs. Holanda

Aos 116 minutos, com o jogo zerado, Cesc Fàbregas encontrou Andrés Iniesta na entrada da área. Iniesta bateu cruzado, sem chances para o goleiro holandês. Na comemoração, tirou a camisa para mostrar uma escrita no undershirt: "Dani Jarque, sempre con nosotros" — homenagem a um ex-companheiro de seleções de base, morto por parada cardíaca um ano antes. Levou cartão amarelo, mas deu à Espanha seu primeiro título mundial.

Fotos históricas via Wikimedia Commons, sob licença de domínio público ou Creative Commons — crédito completo em cada imagem.