A Argentina é a seleção sul-americana com a segunda maior quantidade de finais de Copa do Mundo disputadas, atrás apenas do Brasil: seis, com três taças erguidas em quase meio século de intervalo entre a primeira e a última.
A trajetória
A história começou já na primeira Copa da história, em 1930, no Uruguai, quando a Argentina chegou à final e perdeu para o anfitrião. Precisou de 48 anos para reverter o roteiro: em 1978, jogando em casa, sob um clima político tenso da ditadura militar, a seleção de César Luis Menotti venceu a Holanda por 3 a 1 na prorrogação. Mario Kempes foi artilheiro e melhor jogador do torneio; Daniel Passarella, aos 25 anos, ergueu a taça como o capitão mais jovem da história a fazer isso.
Oito anos depois, no México, veio a campanha mais lembrada do país: Diego Maradona jogou praticamente sozinho contra o mundo, participando direta ou indiretamente de 10 dos 14 gols argentinos no torneio. A Alemanha Ocidental foi batida por 3 a 2 na final, mas o jogo que entrou para a lenda foi antes, nas quartas — contra a própria Inglaterra, adversária desta semifinal de 2026.
Depois de perder mais uma final em 1990 (para a Alemanha) e em 2014 (para a Alemanha novamente, desta vez no tempo de Messi), a Argentina finalmente fechou a conta em 2022, no Catar: campeã nos pênaltis sobre a França, em uma decisão que muitos consideram a melhor final da história da competição.
22 de junho de 1986 · Quartas de final vs. InglaterraEl Gráfico, 22 de junho de 1986 · Domínio público
"Um pouco com a cabeça de Maradona, um pouco com a mão de Deus." Maradona resolveu o jogo em menos de cinco minutos, com dois gols de outro planeta. No primeiro, subiu mais que o goleiro inglês Peter Shilton e desviou a bola de punho fechado — o árbitro tunisiano Ali Bin Nasser não viu nada, e o gol ficou de pé. Hoje bastaria meio minuto de VAR pra anular o lance; em 1986 essa tecnologia nem existia no papel, e a irregularidade entrou pra história em vez do banco de vídeo. Quatro minutos depois veio a resposta: Maradona catou a bola ainda no meio-campo, driblou cinco ingleses em sequência e bateu no canto — o "Gol do Século". Argentina venceu por 2 a 1 e seguiu rumo ao título.


